"Film has the magic quality of being able to photograph thought" - Nicholas Ray, in "I Was Interrupted"
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Slumdog Millionaire
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Nuno Bragança e uma sugestão...
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
A Arte da Montagem - Uma Conversa entre Walter Murch e Michael Ondaatje


quarta-feira, janeiro 14, 2009
O que é a Montagem (I)
O enunciado teórico pode resumir-se à seguinte ideia: o posicionamento de um primeiro plano neutro em relação a um segundo plano neutro cria uma sequência cujo significado é inteiramente construído pelo espectador. Ou seja, a justaposição permite-nos estabelecer ligações entre dois planos que, por si só, nada dizem.
O seguinte vídeo ilustra o efeito na sua forma mais básica, procurando recriar a mesma sucessão de imagens montada por Kulechov a partir de planos do rosto do popular actor de teatro Mosjoukine posicionados com imagens tão diversas como a de um prato de sopa, a de um caixão de uma criança ou a de uma mulher deitada num divã:
Ainda hoje, o efeito Kulechov pode ser visto em toda a sua potência nas mais diversas obras audiovisuais contemporâneas (filmes, séries, clips, telenovelas, publicidade, etc). Veja-se a divertida explicação da aplicação prática do efeito dada por Alfred Hitchcock, que tão bem utilizou os princípios teóricos de Kulechov em toda a sua obra:
Uma versão mais alargada desta entrevista pode ser encontrada aqui. Há só que perdoar a má legendagem em castelhano...
* - É conveniente referir que a grafia do nome do realizador russo tem uma estranha variação conforme a língua dos textos que se consultar - em inglês, é habitual aparecer escrito como "Lev Kuleshov", com "s"; porém, os textos em francês costumam utilizar "Kulechov" - optei por utilizar a segunda hipótese, muito embora esteja consciente de que posso estar errado e de que não tenho quaisquer conhecimentos de russo que me permitam ter autoridade para determinar a transcrição correcta...
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Em defesa da cultura e das ideias
segunda-feira, dezembro 08, 2008
"My theory that you should see a movie on a big screen is sound, but utopian."
A frase que serve de título a este post foi escrita pelo crítico Roger Ebert na conclusão do seu artigo sobre os melhores filmes de 2008 e surge a propósito do estado pouco recomendável da distribuição de filmes nas salas de cinema dos EUA.
De facto, um dos aspectos que mais pode chamar a atenção no texto de Ebert sobre o ano cinematográfico que agora chega ao fim é o facto de que vários dos títulos mencionados são uma completa incógnita não só para espectadores deste lado do oceano Atlântico como, também, para os do país onde tal lista foi elaborada. Da mesma maneira que é difícil para um espectador português ter a diversidade e a possibilidade de escolha de um congénere parisiense, no país que mais filmes exporta para todo o mundo também pode ser uma odisseia conseguir ver a mais recente obra de um realizador conceituado simplesmente porque se vive no Kentucky e não em Nova-Iorque.
É aqui que os novos suportes de distribuição digital desempenham um papel deveras importante, como confirma Ebert ao afirmar que "This is a time when home video, Netflix and the good movie channels come to the rescue." De facto, torna-se muito difícil contestar o poder do DVD, dos Blu-Ray e dos downloads (legais ou não, isso é outra história...) na divulgação de filmes que, normalmente, seriam barrados pelos imperativos económicos de chegarem ao(s) público(s) que os quer(em) ver. E não esqueçamos, já agora, a importância que as televisões, com especial incidência para os canais dedicados à sétima arte e aos "generalistas" que organizam ciclos, têm, através da exibição de clássicos, na formação do gosto e da cinefilia de muita gente que não tem acesso a um espaço como a Cinemateca Portuguesa. Sem estar sequer perto de perder o gosto por ver os filmes no grande ecrã, Ebert revela, nestas duas simples frases, uma frescura de pensamento em relação à evolução tecnológica do cinema que é salutar e, a meu ver, exemplar.
segunda-feira, novembro 24, 2008
Uma breve nota sobre "A Turma" de Laurent Cantet

sexta-feira, outubro 31, 2008
Duas breves sugestões para uma Noite das Bruxas cinéfila


quinta-feira, outubro 30, 2008
Revista da Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos online
segunda-feira, outubro 27, 2008
Elogio de "Mal Nascida"

Tenho estado para escrever aqui sobre "Mal Nascida", a mais recente longa-metragem de João Canijo estreada entre nós no início de Outubro num número bastante reduzido de salas e com menos "burburinho" crítico que a sua "prequela", "Noite Escura". Já passou uma semana desde que tive a oportunidade de o ver, mas tem sido difícil ordenar as ideias que o filme suscitou e colocá-las por escrito. Aqui vai uma tentativa...
Reboot
sábado, fevereiro 02, 2008
Le Roi est mort... Vive le Roi!
Infelizmente, a versão que, para já, vai para o ar é uma espécie de "compacto" da série, com dois episódios a serem "colados" um ao outro para que a totalidade da série seja exibida nestes próximos três dias em "fatias" de 90 minutos... o que pressupõe vários cortes na montagem final.
Como alguém que participou, ainda que de forma bastante secundária, na feitura desta obra, lamento com um considerável desapontamento que, de momento, tenhamos de ver uma variante "encurtada" da série por razões que me escapam completamente - fica a esperança e o desejo de que, no futuro, a versão integral seja transmitida tal como o realizador, os argumentistas, o director de fotografia, o montador e toda a restante equipa a imaginou.
De qualquer forma, não se demovam de assistir aos episódios, porque a série, na minha modesta (e, claro, não exactamente isenta) opinião, continua a ter um nível e uma qualidade inegável - para aguçar o apetite de quem ler estas linhas, deixo-vos aqui a trailer:
Espero que gostem!
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Talk-Radio! Entrevista ao indivíduo responsável por este blog...
Da minha parte, posso dizer que a entrevista correu bastante bem (não obstante uma pequena calinada no português, uma expressão dita de forma incorrecta E uma gaffe no nome do realizador Hiroyuki Yamaga - tudo da minha autoria...), o pessoal da JPR foi de um profissionalismo acima de qualquer dúvida e conseguiu escolher bem as frases a reter de entre 45 minutos de conversa ao telefone! No programa: algumas considerações sobre o mundo do cinema (tanto lá fora como em Portugal), algumas histórias dos bastidores deste blog, a experiência de ter trabalhado com o Canto e Castro; e, claro, uma breve promo de "O Dia do Regicídio"!
Portanto, se quiserem ouvir o meu gaguejar e ficar com uma ideia da minha voz, dêem um saltinho ao site do Posta@Posta! Da minha parte, fica aqui o meu agradecimento à equipa de Diana Albuquerque, Marta Maia e Tatiana Carvalho por me terem posto à vontade e pelo interesse demonstrado por este cantinho da blogosfera! ^_^
Entrevista
http://jpr.icicom.up.pt/postaposta/
Site Jornalismo Porto Rádio
Heath Ledger (1979-2008)

sábado, dezembro 08, 2007
Pela honra de quem se mata a escrever
Mas se a greve tem sido amplamente divulgada nos media, já as razões que levaram à sua existência não têm sido suficientemente esclarecidas. Encontrei este vídeo no blog da Ardelua, e não resisto a colocá-lo aqui, pois explica, de uma forma concisa, completa e muito divertida, o busilis da questão:
Se ficarem sensibilizados, convido-vos a visitarem o blog oficial dos grevistas e a assinarem a petição online de apoio à causa dos argumentistas. O meu nome já lá está...
P.S. - E quando é que, em Portugal, os nossos profissionais do audiovisual se decidem a "bater o pé" com a mesma dignidade que os seus congéneres americanos?
domingo, novembro 18, 2007
O tamanho importa...

Ontem, pouco antes do jogo da Selecção Nacional, o noticiário da RTP apresentou um curioso alinhamento de notícias que, de certa forma, é um primoroso retrato do nosso país: a primeira reportagem falava-nos do encerramento do Cinema Quarteto por falta de condições de segurança; a isto, seguiu-se um mui pomposo bloco que nos mostrava como o país olhou deslumbrado para a inauguração da Maior Árvore de Natal da Europa no Porto.
Um dos cinemas mais emblemáticos de Lisboa, responsável pela exibição de centenas de títulos marcantes que qualquer cinéfilo que o tenha visitado não pode esquecer, ameaça fechar as portas apesar dos esforços dos seus responsáveis para corrigir a situação, mas não há problema: a nossa Árvore de Natal é maior do que as dos outros países do nosso continente! Enfim, prioridades...
domingo, outubro 21, 2007
Dario Argento Ritorna: La Terza Madre (The Third Mother: Mother of Tears)

Estreia dia 31 deste mês na Itália aquele que deve ser um (o?) dos filmes de terror mais aguardados dos últimos tempos - "La Terza Madre" de Dario Argento, o terceiro e último capítulo de uma mítica trilogia iniciada há precisamente 30 anos com o extraordinário "Suspiria" pelo realizador de obras como "Profondo Rosso" ou "Phenomena", trilogia essa interrompida (e só agora retomada) após o fracasso comercial do segundo opus, "Inferno" (1980).
A trailer, que pode ser vista aqui, está na net há já algum tempo e permite aguçar o apetite para o que aí vem. Não parece que estejamos perante os mesmos espectáculos visuais do primeiro filme (embora, diga-se de passagem, a fotografia esteja com óptimo aspecto), mas o argumento parece bastante interessante e é sempre bom saber que a música é composta por Claudio Simonetti (grande colaborador de Argento e antigo membro dos Goblin, banda responsável pela fabulosa música de "Suspiria") e que Asia Argento, a filha do realizador e uma actriz de excepção, é a protagonista.
Dario Argento declarou à revista francesa Mad Movies que este é o filme mais gore que alguma vez rodou e que foi criado no mesmo estilo das suas obras dos anos 70 (que muitos fãs consideram ser o seu período de ouro). As reacções às poucas exibições que o filme teve em festivais têm sido mistas, mas nada que tolde o entusiasmo em torno da obra.
Argento é um dos nomes de referência do cinema fantástico Italiano desde o início dos anos 70. Capaz de fazer algumas das maiores obras dos respectivos géneros ("Suspiria", "Profondo Rosso") como também títulos francamente fracos ("Trauma", "Ti Piace Hitchcock?"), os seus mais recentes trabalhos foram dois episódios para a série "Masters of Horror" - "Jenifer", na primeira temporada, e "Pelts", na segunda. O seu último filme estreado nas salas foi "Il Cartaio - O Jogador Misterioso", que foi editado em Portugal directamente em DVD numa edição unicamente dobrada em inglês. Por cá, a última obra que vimos nos ecrãs grandes portugueses foi "O Fantasma da Ópera" em... 1999.
sábado, setembro 29, 2007
Um novo Jump Cut!
Publicidade Divina
"My Blueberry Nights" de Wong Kar-Wai tarda a estrear em Portugal (estreará sequer?). Mas enquanto vamos aguardando pelo dia em que as nossas salas possam descobrir a primeira aventura em território americano do realizador de "In the Mood for Love", podemos deleitar-nos com esta pequena maravilha de anúncio que WKW dirigiu recentemente para a Dior. E quando a musa* do autor para esta very-short-story é só a sublime Eva Green, temos a certeza que o que nos espera é algo de realmente especial! Vejam e admirem - afinal, a publicidade também é (ou pelo menos pode ser) cinema...
* - Por falar em musas, e para que a questão não fique sem resposta, a música de fundo do spot é nem mais nem menos do que "Space Dementia" dos Muse.
terça-feira, setembro 18, 2007
R.I.P. PREMIERE PORTUGUESA:1999 - 2007

Hoje, ao voltar a casa, descobri, com enorme choque, a notícia de que a Premiere, a única revista de cinema actualmente em publicação em Portugal, irá ter o seu derradeiro número já no próximo mês. Podem ler uma emocionada (e bem esclarecedora) nota do director da revista, José Vieira Mendes, no blog da revista. Creio que esse post explica melhor o que se passou para as coisas chegarem a este ponto do que qualquer tentativa de sumarizar o assunto numa ou duas linhas.
Sou leitor da versão portuguesa da Premiere desde o primeiro número. Quando surgiu no mercado, estávamos numa época onde a crítica cinematográfica e os textos sobre cinema estavam limitados a uma secção nos jornais generalistas e a uma ou duas "promo mags" oferecidas nas salas de cinema que pouco mais eram do que uma publicidade alargada disfarçada de "textos sérios". Se não me engano, a última tentativa de fazer uma revista dedicada à 7ª arte com uma grande circulação no país tinha sido a TV Filmes que, tal como as suas antecessoras, não se aguentou por muito tempo. A longevidade e a resistência da Premiere às atribulações do mercado português pareciam, por isso mesmo, sugerir que esta seria uma publicação para se aguentar durante muitos anos e bons. Prestes a concluir nove trezentos-e-sessenta-e-cinco dias de existência, vê agora as suas portas fecharem por "motivos de ordem económica". Ironia das ironias, as vendas até iam bastante bem...
Que fique claro, não creio que a Premiere fosse uma revista perfeita. Não alinho com os comentários disparatados que pintaram a revista como estando "ao serviço dos estúdios americanos", mas o certo é que as entrevistas às celebridades (importadas da Fotogramas espanhola, há que recordá-lo...) por vezes pareciam saídas da Caras, e muitos artigos interessantes pecavam por serem excessivamente curtos, sem desenvolver suficientemente o tema que propunham abordar. Porém, seria de uma tremenda injustiça e grosseria não reconhecer o enorme mérito de toda a equipa da revista em criar, todos os meses, textos e artigos que foram formando a cinefilia nacional - das crónicas de Criswell à cobertura dos festivais, passando pelas análises dos DVDs nacionais e importados, permitiu que críticos jovens como Marco Oliveira, Luís Salvado, Nuno Markl, Rui Pedro Tendinha ou Luís Canau pudessem ver os seus textos publicados. Sem nunca descurar os acontecimentos e as novidades da indústria a nível mundial, deu uma noção do que se fazia cá dentro na área da 7ª arte. Possibilitou, via o DVD que se tornou no "extra" da revista nos últimos anos, o contacto com alguns filmes de grande qualidade a um preço mais acessível. E, sobretudo, difundiu e partilhou a evidente paixão dos seus redactores pelo cinema. A crescente quantidade de respostas ao post de obituário da revista no seu blog oficial só prova que, nestes oito anos, conseguiu criar uma considerável comunidade de leitores fiéis que não pode ser ignorada.
Parece uma maldição que todas as revistas de cinema lançadas em Portugal tenham um fim inglório. Não deixa de ser paradoxal (e muito triste) constatar que aquela que é uma das mais populares artes das civilizações contemporâneas tem mais dificuldade em se impor por terras lusas do que uma revista de jardinagem ou a enésima publicação cor-de-rosa...
