quinta-feira, setembro 09, 2004

Desconte-se o público!

Ao que parece, as exibidoras portuguesas já estão a reagir mal à Nova Lei do Cinema. O busilis da questão assenta na alínea da lei recentemente aprovada que dita a aplicação de uma taxa de 2% sob o preço dos bilhetes de cinema, sendo que os distribuidores são obrigados a investir (livremente) essa montante na produção nacional de cinema e/ou audiovisual.

De acordo com o noticiário da SIC Notícias, os distribuidores e exibidores estão a ponderar algumas medidas para lidar com esta sua nova obrigação. Uma delas passa pelo aumento do preço dos bilhetes (que, assim, ultrapassaria os já indesejáveis 5 euros) e a outra pela extinção dos descontos dos bilhetes à segunda-feira.

Qualquer uma destas soluções é, a meu ver, alarmante. O objectivo da Nova Lei (pelo menos na teoria) é o de dinamizar o sector do cinema português e tornar os distribuidores nacionais em investidores activos e com poder de decisão no que diz respeito aos montantes que investem. O problema é que subir o preço dos bilhetes ou acabar com os descontos de 2ª feira só resultará num afastamento incalculável das salas de cinema pela parte do público.

Os descontos de 2ª feira (bem como os provenientes dos cartões que o fornecem, como o Cartão Jovem) e o preço relativamente acessível dos bilhetes (abaixo de uma boa parte dos restantes países europeus) têm sido factores cruciais no crescimento diversificação da oferta cinematográfica em Portugal. Ainda assim, se actualmente um "português médio" já tem dificuldade a desembolsar cinco euros por um bilhete e, portanto, tem tendência a ir ver os filmes "de que está habituado a gostar" (ie: blockbusters e grandes produções americanas) em vez de experimentar algo de novo ou do qual tem uma imagem não muito boa (ie: os filmes portugueses!); com o aumento do preço dos bilhetes, menos o espectador arrisca, menos público tem o cinema português e as restantes cinematografias mundiais. E o fundo de investimento acaba por cair em saco roto...

5 comentários:

Pedro disse...
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Anónimo disse...

Caso esta nova lei do cinema se confirme, não vão ser só as exibidoras que vão reagir mal - o bolso do espectador comum também o vai fazer. :(

Parabéns pelo blog - é um dos meus favoritos dentro desta áre que muito amo.

Abraços cinéfilos,
Tiago Teixeira.

Blog: http://www.moviesuniverse.blog-city.com

Ricardo Gonçalves disse...

Para o Pedro:

Agradeço bastante tanto os elogios como as justas críticas ao visual do blog. Infelizmente, o web-design não é o meu forte, daí as "short-comings" do site, mas vou tentar fazer algumas modificações de modo a tornar a leitura mais agradável! Já tentei "acinzentar" o texto, a ver se ajuda alguma coisa. Mas talvez passe mesmo por uma mudança do fundo...

Estive a ver o site do ABCine, e acho muito interessante a ideia de uma associação de blogs de cinema. Quais os "requesitos" para fazer parte dela? :)

Para o Tiago:

Antes do mais, obrigado pelas gentis palavras em relação ao blog! Creio que a Nova Lei tem medidas que podem realmente ajudar o Cinema Português a desenvolver-se, mas o certo é que também tem vários pontos pouco claros e "pequenos grandes defeitos" que podem minar as suas próprias intenções. A questão dos descontos e dos preços dos bilhetes é realmente problemática, e sem um aumento do salário médio das pessoas que compense tal acréscimo, arriscamo-nos a ver uma descida de frequência das salas de cinema! Já vi escrito por aí que a Nova Lei arrisca-se a afectar não só o preço dos bilhetes, como também o dos DVDs e até dos jogos de vídeo! Mas esperemos para ver/ler alguma declaração oficial das distribuidoras.

Entretanto, o Moviesuniverse já está linkado no separador "Blogs de Cinema"! Espero que voltem cá mais vezes! ;)

Anónimo disse...

O mais frustrante é ainda estarmos tao dependentes do Estado ( à la Cinema Soviético- Era de Estalin), e isso prova-se claramente com estas novas leis e pelo o efeito que elas provocam. Eu axo que a questão não deve ser, deve o Estado fazer isto ou aquilo? Mas sim, deve o Produtor fazer isto ou aquilo? ou seja, à luz da maior Indústria de Cinema do Mundo que incorpora os Maiores Mestres e Bases do Cinema ( Ford, Chaplin, Murnau, Lang, Coppola, Scorsense, Polanski, Lee, etc, etc, etc,) temos de entender que o Cinema tem um potêncial comercial muito grande, e que aproveitar esse potêncial ao maximo posssibilita aproveitar o potencial artistico, cientifico, cultural, etc do Cinema.
axo que enquanto nao houver um corte umbilical dos Produtores de Cinema do Estado o Cinema nunca vai despontar "à seria" neste País e na Europa em Geral, falta Autonomia, tipo, o jovem que vive farto dos pais mas nao tem garra suficiente para ser independente e entao deixasse ficar na mesma.
Se se começar a pensar em vender Cinema e filmes como outro produto qualquer, exactamente como Ford ou Chaplin, porque eles filmaram obras primas mas eles queriam era ter publico e sucesso, enquanto por cá é o contrário, querem todos fazer obras primas e nao pensam em vender o filme, entao o resultado é, o publico nao vai ver o filme, a critica detesta o filme, o realizador fica deprimido, e a produtora vai falência.
Tudo porque neste País o Cinema é dos Artistas e da Cultura.
O problema é que há muita hipócrisia da parte do Estado e muito pouca vontade da parte de quem faz Cinema.
Pois, inspirado em Marx eu digo: Cineastas Amadores de todos o País: Uni-vos!!!!!!! :-))

Sam, the Lone Prospector

Pedro disse...

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