quarta-feira, setembro 01, 2004

Só umas poucas palavras sobre "Wanda"

Confesso que não consigo partilhar o entusiasmo que Isabelle Huppert e muita da crítica têm tido por "Wanda", o único filme que Barbara Loden (mulher de Elia Kazan) realizou e protagonizou em 1971 e que só recentemente estreou entre nós. Tem sido dito por aí que se trata de "um dos melhores filmes norte-americanos dos anos 70", ou até mesmo de uma "obra-prima negligenciada". A primeira observação parece-me completamente exagerada, sobretudo tendo em conta de que se trata de uma década que nos brindou com tantos filmes memóraveis que fazer aqui uma lista seria uma tarefa (quase) interminável! Com a segunda também me parece difícil de concordar: embora "Wanda" tenha uma ideia de partida interessante e algumas sequências bastante bem pensadas e dirigidas (como é o caso da cena em que Wanda pede emprego numa fábrica de tecelagem, bem como a do assalto ao banco), o filme não deixa de passar uma sensação de "à-deriva" que nos deixa emocionalmente desligados dos dramas e tragédias da personagem principal. A fragilidade de algumas interpretações (sobretudo de alguns actores secundários) e o distanciamento e quase-indiferença que Loden cria entre Wanda e tudo que lhe rodeia fazem com que, quando o filme chega ao fim, não nos sintamos realmente muito afectados com aquilo que vimos. Faz, por vezes, lembrar vagamente algumas obras de John Cassavetes, mas falta qualquer coisa...

No entanto, a memória da interpretação de Loden enquanto irmã outsider de Warren Beatty no maravilhoso "Esplendor na Relva" continua a ser marcante...

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