segunda-feira, março 30, 2009

Pequenas Alegrias - Love Letter to Japan



Vídeo original do tema "Love Letter to Japan" dos The Bird and the Bee. Uma boa descoberta destes últimos tempos.

domingo, março 29, 2009

"Espectadores de Elite" e "Espectadores Irrequietos"

“Na apresentação, em Lisboa, Serra, talvez com alguma ironia, apelidou-se o melhor realizador espanhol desde Buñuel, e queixou-se de uma incompreensão geral do público. Claro que os seus filmes estão reservados a uma elite. Uma elite esteticamente sofisticada, capaz de apreciar a beleza de uma boa fotografia, conhecedora da história do cinema e da sua cumplicidade com as outras artes, e sem sono. Os planos fixos, a montagem minimal, a reduzida acção, repudiam os espectadores mais irrequietos.”

Manuel Halpern, crítica a “O Canto dos Pássaros” de Albert Serra, in JL – Jornal de Letras e Ideias, nº 1004

Não sei o que é pior nesta citação. Não sei se é a típica vitimização do realizador (porque a culpa da má recepção de uma obra é sempre dos espectadores, esses malandros!, nunca do criador, que está sempre à frente do seu tempo...) misturada com uma auto-glorificação que não funciona nem como blague ou, antes, a curiosa descrição da “elite esteticamente sofisticada” que o crítico Manuel Halpern faz.

Acabei por me encontrar mais perturbado com esta assustadora ideia de uma espécie de “espectador de elite”, como se quem for “conhecedor da história de cinema, da sua cumplicidade com as outras artes” e não tiver sono não possa, de maneira alguma,  não gostar deste filme. Como se quem aprecie fotografia e não tenha problemas com filmes mais “lentos” não posso achar esta obra oca e superficial porque, se o fizer, passa à categoria de “espectador irrequieto”, uma espécie de mentecapto que não pertence “à elite sofisticada” que sabe como se deve, verdadeiramente, apreciar o cinema. Esta é, simultaneamente, uma visão redutora das pessoas que participam nesse fabuloso ritual que é ver um filme e uma visão “clubista” da arte cinematográfica que só se pode lamentar.

segunda-feira, março 09, 2009

Vicky Cristina Barcelona - Cómica Angústia



Não consigo deixar de ficar impressionado com o modo desinteressado como algumas pessoas acolheram a mais recente obra de Woody Allen. Falou-se aqui e ali de uma obra menor, de um filme feito quase “de encomenda”, “a despachar”, com actores atraentes a fazerem bons números e o realizador a entreter-se filmando belas imagens de “bilhete postal” de Barcelona e de Espanha, faunas bem diferentes da sua mui familiar Nova Iorque, palco quase natural do seu universo cinematográfico. Em suma, uma comédia light agradável, estival, bem construída, mas esquecível e, sobretudo, irrelevante no contexto da obra de Allen.

Ora, não sendo “Vicky Cristina Barcelona” um “Annie Hall” (nem tendo obrigação de o ser), o que temos neste filme enganadoramente descontraído é um discurso incrivelmente angustiante sobre as relações amorosas, com um ponto de vista pessimista que faz lembrar algumas obras de Ingmar Bergman. Há comedia, sim, há vários momentos em que nos rimos alegremente do que se está a passar no ecrã – mas o modo como o realizador desconstrói dois pontos de vista absolutamente antagónicos sobre o amor (uma visão, mais “conservadora”, de Vicky e outra, mais “liberal” de Cristina) e nos mostra o imenso vazio das personagens após todos os acontecimentos atribulados por que passam no Verão que o filme relata relembra-nos de que estamos perante uma análise das relações humanas (e das nossas noções do amor) que não é nada superficial.

Como praticamente todos os filmes de Woody Allen, esta é uma obra que realça o trabalho dos actores, e é quase óbvio destacar a prestação premiada de Penélope Cruz como um exemplo de como é possível dar vida a uma cena só pelo modo como uma personagem se mexe. Mas gostaria de referir especialmente o trabalho de Rebecca Hall, cujo nome tem sido, por vezes, injustamente ofuscado pelos do restante elenco principal. Hall tem aqui uma personagem muito mais difícil do que parece - o de uma mulher intelectual, conservadora, repleta de conflitos internos e várias contradições. Seria muito fácil cair no cliché da mulher tradicionalista frustrada, mas Hall consegue conferir à personagem uma dimensão bem mais profunda com o seu desempenho. Nesse sentido, embora Scarlett Johansson não esteja mal, a sua performance não é tão rica em nuances e na exposição de um mundo interior mais perturbado do que parece como a de Hall – é um trabalho conseguido, mas bem longe dos resultados fabulosos obtidos em obras como “Lost in Translation” ou “Match Point”. Javier Bardem, por sua vez, desempenha o seu papel com charme e inteligência e consegue que o seu artista-macho-cool seja mais complexo e interessante do que se poderia pensar à primeira vista.

O argumento de que esta é uma visão turística de Barcelona também me parece algo bizarro – se a narrativa parte do ponto de vista de duas turistas norte-americanas que vêm ou desenvolver uma tese (Vicky) ou passar férias (Cristina) no coração da Catalunha, é natural que a imagem, adequadamente, siga um ponto de vista turístico, isto é, a de alguém exterior àquele mundo, que só o consegue conhecer parcialmente. O objectivo não é fazer um filme sobre a realidade de Barcelona, mas sim o de acompanhar aquelas duas mulheres na sua viagem exterior e interior. Está coerente com a história que se pretende contar e apetece dizer que estranho seria se fosse de outra forma.

Esperemos, pois, que o Óscar atribuído a Penélope Cruz permita alguma reavaliação do filme – ou, pelo menos, uma catalogação mais interessante do que a de simples “Postal Ilustrado”.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Slumdog Millionaire

Gostei de "Quem Quer Ser Bilionário?" (Slumdog Millionaire) de Danny Boyle. Não achei o filme extraordinário, e muito menos isento de defeitos, mas encontrei nele imensas qualidades que me fizeram perceber o porquê de tanto entusiasmo e de tantas nomeações (e vitórias...) no ciclo de cerimónias de prémios que agora chegou ao fim com a entrega dos Oscars - e com a obra em questão a arrecadar o Oscar para Melhor Filme no fim da noite.

A equipa responsável pelo projecto descreveu o filme como um "conto de fadas", definição à qual eu acrescentaria o adjectivo "contemporâneo". Existe, no argumento de Simon Beaufoy, um sentimento de urgência de contar uma história que nos mostre o combate do ser humano perante a adversidade, a sua capacidade de "aprender com a vida", ultrapassar o seu obstáculo e tirar lições do seu esforço - com a preocupação fundamental de enquadrar esta história não numa floresta de gnomos e bruxas, como nos contos dos irmãos Grimm, mas no contexto da realidade de uma cidade dos nossos tempos. Ou seja, a necessidade de criar uma narrativa de esperança num mundo duro e actual,  de ter um pé no "realismo" e o outro no "sonho", sem nunca cair no ridículo ou disparatado. Esta é uma aposta muito arriscada, não sendo nada difícil cair numa xaropada moralista.

E é aqui que o filme de Danny Boyle consegue um equilíbrio raro - Jamal, o herói, é uma personagem que luta por aquilo que quer, que tem que enfrentar as dificuldades da vida e do meio em que está inserido... mas que, mesmo assim, não desiste, por muito duro, cinzento e complexo que seja o mundo em que vive.  Ao longo da história, acontecem-lhe coisas espantosas mas plausíveis, desde a chegada em helicóptero de uma star de Bollywood à sua surpreendente performance num concurso televisivo -  onde a sorte e o acaso jogam um papel tão importante como a astúcia do herói - e, apesar de tudo, o que se sucede é credível e a causalidade não é posta em causa, o que não deixa de ser um feito considerável. Há cenas que não funcionam tão bem (os turistas americanos que dão a nota de cem dólares, por exemplo), mas, no conjunto, o argumento encontra-se solidamente construído.

O estilo formal muito próprio de Boyle no "contar" desta história pode não ser do agrado de todos, mas está longe de ser o disparate superficial e sem qualquer "reconhecimento de herança cinematográfica" que por aí foi apregoado. Sim, a montagem pode ser acelerada ao ritmo de mil-cortes-por-segundo, os planos enquadrados de forma "torta"  e com uma câmara-à-mão nervosa, pode haver várias canções pop a aparecer de forma pouco habitual no decorrer de uma sequência, cada cena pode ser fotografada com centenas de filtros e efeitos de pós-produção - mas há toda uma concepção de narrativa e de construção dramática que, na realidade, vai beber muito mais aos ideais do cinema clássico do que a um mau videoclip. David Bordwell, aliás, explica isto de forma muito clara e desenvolvida no seu excelente texto de análise à obra de Boyle.

Falou-se, em vários sítios, da chamada "pornografia da pobreza" de que o filme seria um aparente e muito triste exemplo. Alicia Wells, no Times Online, chega ao ponto de dizer que Boyle é um realizador brilhante mas que mostrar violência com crianças é "Vile" - ou seja, sujo, porco, indecente. Igualmente, alguns críticos têm apontado a "pobreza de olhar" como factor para denegrir o filme. A eterna questão sobre "o que é pornográfico ou não" é interessante, mas seria mais interessante se quem atribui esta etiqueta explicasse, claramente, como se filma a pobreza, a miséria, a violência para com crianças e semelhantes atrocidades sem se cair no voyeurismo ou numa qualquer gratificação do espectador. Parto do princípio que o cinema, como as outras artes, pode confrontar-se com os aspectos degradantes da existência humana e reflectir sobre eles. Em relação à "pobreza do olhar", tópico vago que daria para um texto inteiro, digamos só que gostava de acreditar que não é por se filmar a miséria com um estilo de montagem acelerado e estilizado e não num único plano-sequência fixo que se vai determinar se um filme é ou não um dejecto...


Sobre a questão da verosimilhança no filme, e a recepção crítica deste, vale a pena ler:



sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Nuno Bragança e uma sugestão...

A Dom Quixote vai reeditar a obra completa de Nuno Bragança neste mês de Fevereiro de modo a assinalar a passagem do octogésimo aniversário do nascimento do escritor, e o volume apresentado parece ser verdadeiramente fabuloso. Porém, reparei numa pequena ausência do espólio que talvez não incomode muita gente mas que, definitivamente, me chamou a atenção: a do guião de "Os Verdes Anos" de Paulo Rocha, para o qual Bragança assinou os diálogos. É certo que não é um romance, nem tão pouco uma obra de prosa, e é também verdade que Bragança foi um colaborador e não o autor da história. Mas, ainda assim, não seria esta uma boa ocasião para editar o argumento de uma obra para o qual o seu contributo foi decisivo? Ou, como alternativa limite, disponibilizá-lo como "extra" numa eventual (e há muito desejada) edição em DVD do referido filme?

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A Arte da Montagem - Uma Conversa entre Walter Murch e Michael Ondaatje


Aquando da pós-produção do filme "O Paciente Inglês" de Anthony Minghella, Michael Ondaatje, o autor do romance original que serviu de base à longa-metragem, ficou fascinado com o trabalho minucioso levado a cabo pelo montador Walter Murch na sala de edição. Este fascínio fez com que Ondaatje quisesse conhecer melhor aquele homem que tinha a particularidade de montar de pé "como um cirurgião realiza uma operação" e, depois, iniciasse um conjunto de entrevistas com ele que viria a formar o livro "The Conversations: Walter Murch and the Art of Editing Film".

Uma pequena introdução impõe-se, sobretudo tendo em conta que os montadores nunca são tão conhecidos como os realizadores. Pertencente à mesma geração de movie-brats onde se incluem realizadores como George Lucas, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg ou Martin Scorsese, Walter Murch, ao contrário dos nomes citados, fez carreira longe das câmaras, trabalhando (quase) sempre na pós-produção como montador de imagem, designer de som e director de misturas, chegando algumas vezes a acumular todos estes cargos num mesmo filme. É largamente reconhecido como um dos mais importantes montadores vivos, e o seu livro, "In the Blink of an Eye: A Perspective on Film Editing", pode facilmente ser considerado um dos grandes textos da teoria contemporânea de montagem, ancorado numa larga experiência profissional na pós-produção de filmes tão marcantes como "Apocalypse Now" ou a trilogia "O Padrinho".

Um exemplo primordial do modo como a montagem, e o contributo pessoal do editor, molda uma obra cinematográfica surge no relato que Murch faz do seu primeiro trabalho como montador de longa-metragem no filme "O Vigilante" ("The Conversation", 1974) de Francis Ford Coppola. Um projecto antigo e muito pessoal do seu realizador/argumentista, "O Vigilante" foi rodado entre o final de "O Padrinho" e o início de "O Padrinho II", sendo que Coppola, por obrigações contratuais com a Paramount, foi forçado a partir para a rodagem do segundo volume da sua lendária trilogia sem poder participar na montagem do filme com o envolvimento que desejaria. Sem poder fazer muito mais, optou por deixar o material nas mãos de Walter Murch, limitando-se a aparecer nalgumas reuniões semanais para ver o modo como a montagem evoluía.


Com o realizador ausente e a dar carta-branca ao seu montador, Murch teve uma liberdade criativa pouco habitual na montagem do filme e, ao não limitar-se a "alinhar e cortar" o material disponível, reestruturou a narrativa, atribuiu novos significados a cenas problemáticas, criou a atmosfera de solidão e paranóia do filme através de um desenho de som minucioso e construiu um final marcante com o aproveitamento de uma má take de som (!). O resultado foi uma estrondosa obra-prima que arrecadou a Palma d'Ouro em Cannes no ano de 1974 e que permanece uma das obras favoritas do seu realizador.

Dividida em cinco extensas entrevistas, a conversa entre Ondaatje e Murch vai focando diversos pontos sempre com grande interesse e um bom ritmo, com o escritor a colocar perguntas do ponto de vista de um "leigo-culto" que nitidamente admira o seu entrevistado sem abdicar de dar o seu contributo pessoal para a discussão. Os diálogos abrangem temas tão distintos como o relacionamento entre realizador e montador; a criação e construção narrativa; técnicas e teorias de montagem (é reexplorada a célebre teoria do "piscar de olho"); a remontagem de "A Sede do Mal" de Orson Welles de acordo com as notas deixadas pelo realizador (naquela que é, actualmente, a única versão do filme disponível em DVD no mercado português); a adaptação literária em "A Insustentável Leveza do Ser" ou "O Paciente Inglês"; a sua tentativa de criar um sistema de partitura para o cinema semelhante ao que existe na música; o restauro digital de um curtíssimo filme-sonoro de Edison e a sua única experiência no campo da realização nessa encantadora fábula que é "Return to Oz" (1985).

Ao longo de cerca de 350 páginas, Murch revela-se uma fonte de sabedoria quase inesgotável, tão capaz de falar, num momento, de uma sinfonia de Haydn como, noutro, da poesia de Curzio Malaparte, sendo que a única área onde, a páginas tantas, confessa não ter grande conhecimento é precisamente... a história de cinema! Afirmação esta que, contudo, temos de aceitar como marca de modéstia mais do que verdadeira auto-análise - veja-se o modo detalhado como Murch teoriza sobre a importância que Edison, Beethoven e Flaubert tiveram na concepção do cinema como o entendemos e apreciamos hoje!

Tal como "In the Blink of an Eye", este "The Conversations" há muito que merecia uma tradução portuguesa - até porque transcende largamente a categoria de "livro técnico de nicho" que parece tornar a edição de textos ligados ao cinema tão difícil. Enquanto esperamos (ou não...), temos as edições de língua inglesa e, inclusive, uma espanhola (muito bem traduzida, diga-se de passagem) que costuma abundar pelas FNACs, para nos satisfazer...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

O que é a Montagem (I)

Uma das pedras lapidares de toda a teoria da montagem (e do cinema tout court...) é o chamado "Efeito Kulechov". Trata-se de uma experiência formal levada a cabo pelo realizador/montador/professor russo Lev Kulechov* (com a participação de um aluno muito especial chamado Vsevolod Pudovkin) por volta de 1921 que consistia na projecção de uma sucessão de imagens perante um grupo de espectadores cujas reacções ao material com que foram confrontados fizeram história.

O enunciado teórico pode resumir-se à seguinte ideia: o posicionamento de um primeiro plano neutro em relação a um segundo plano neutro cria uma sequência cujo significado é inteiramente construído pelo espectador. Ou seja, a justaposição permite-nos estabelecer ligações entre dois planos que, por si só, nada dizem.

O seguinte vídeo ilustra o efeito na sua forma mais básica, procurando recriar a mesma sucessão de imagens montada por Kulechov a partir de planos do rosto do popular actor de teatro Mosjoukine posicionados com imagens tão diversas como a de um prato de sopa, a de um caixão de uma criança ou a de uma mulher deitada num divã:



Ainda hoje, o efeito Kulechov pode ser visto em toda a sua potência nas mais diversas obras audiovisuais contemporâneas (filmes, séries, clips, telenovelas, publicidade, etc). Veja-se a divertida explicação da aplicação prática do efeito dada por Alfred Hitchcock, que tão bem utilizou os princípios teóricos de Kulechov em toda a sua obra:



Uma versão mais alargada desta entrevista pode ser encontrada aqui. Há só que perdoar a má legendagem em castelhano...

* - É conveniente referir que a grafia do nome do realizador russo tem uma estranha variação conforme a língua dos textos que se consultar - em inglês, é habitual aparecer escrito como "Lev Kuleshov", com "s"; porém, os textos em francês costumam utilizar "Kulechov" - optei por utilizar a segunda hipótese, muito embora esteja consciente de que posso estar errado e de que não tenho quaisquer conhecimentos de russo que me permitam ter autoridade para determinar a transcrição correcta...

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Em defesa da cultura e das ideias

Ao estrear a edição espanhola do DVD da série Monster, fui presenteado, poucos segundos depois de colocar o disco no leitor, com uma publicidade anti-pirataria. Para meu espanto, não se trata do mesmo anúncio que conhecia de diversos DVDs adquiridos ou alugados nos últimos anos, mas sim de um clip original financiado pelo Ministério da Cultura de Espanha, realizado por uma equipa espanhola e dirigido especificamente ao mercado espanhol (onde, diga-se, os números de pirataria são bem grandes). E, para minha estupefacção, gostei muito do spot! 

O que tem de tão especial a publicidade espanhola? Diria, antes de mais, o tom: em vez de tratar o espectador como uma criança que deve ser assustada com as consequências de um download de um ficheiro Torrent ou de uma visita "frutífera" à Feira da Ladra, o clip visa realçar o valor da cultura e o valor das ideias na nossa existência humana, defendendo que estas têm que ser protegidas e não deixadas ao abandono. "Defende a tua cultura" é o slogan da campanha. Formalmente, o spot é construído com uma montagem lenta e suave, acompanhado de uma música calma que não me distrai da mensagem que a publicidade visa transmitir. Saio do visionamento deste spot a sentir-me respeitado por quem o fez. Consequentemente, o seu apelo toca-me.



É um contraste absolutamente notório com o outro spot a que já aludi. Quem tenha comprado DVDs (tanto nacionais como internacionais) nos últimos anos certamente já terá visto a campanha publicitária que, à falta de um título melhor, podemos designar por "Você não roubaria um filme". Este spot, que também já passou pelos ecrãs grandes, é marcado por um tom agressivo tanto a nível das mensagens de texto como das formas visuais e sonoras (a música e a montagem, em especial, parecem estar constantemente a tentar martelar na cabeça do espectador!). A moral da história é feita através da comparação entre diversas formas de pirataria (download, compra nas feiras, etc.) e o roubo de um carro ou de uma mala. E, claro, acaba com uma ameaça: esta actividade é um crime, e quem o cometer pode apanhar vários anos de prisão e uma multa dolorosa!!! Sinto que quem fez este spot pensa que o espectador é uma criança ingénua que tem de saber que se brincar com o fogo, queima-se. Mas eu não sou uma criança...




Além de tudo isto, tem uma outra característica particularmente irritante: surge no início do carregamento de cada disco e não pode ser saltado - o comando do utilizador fica bloqueado e este tem mesmo de o aturar caso queira ver o filme que o spot acompanha. Se alguém quiser ver uma série de TV (como "Alfred Hitchcock Apresenta", cuja box conta com a presença do spot), e fizer questão de ver um episódio de cada vez em sessões diferentes, vai ser forçado a gramar o clip toda e cada vez que o fizer. Outro ponto curioso: só surge em DVDs completamente legais comprados numa loja normal, constituindo, a meu ver, um dos piores incentivos inadvertidos à pirataria...*

A questão da cópia ilegal de filmes é muito mais complexa do que se pode presumir. Mas nem é isso que está em causa na comparação destes dois spots: trata-se, antes de mais, de saber e questionar o modo como as entidades culturais/industriais escolhem lidar com este problema - tratando os espectadores/consumidores como pessoas inteligentes que sabem pensar por si? Ou como uma espécie de infantes crescidos que têm de ser assustados para chegarem à razão?

*Entretanto, o spot tem sido alvo de inúmeras paródias tanto a nível amador como profissional. Deixo aqui duas particularmente bem conseguidas:

segunda-feira, dezembro 08, 2008

"My theory that you should see a movie on a big screen is sound, but utopian."

A frase que serve de título a este post foi escrita pelo crítico Roger Ebert na conclusão do seu artigo sobre os melhores filmes de 2008 e surge a propósito do estado pouco recomendável da distribuição de filmes nas salas de cinema dos EUA.

De facto, um dos aspectos que mais pode chamar a atenção no texto de Ebert sobre o ano cinematográfico que agora chega ao fim é o facto de que vários dos títulos mencionados são uma completa incógnita não só para espectadores deste lado do oceano Atlântico como, também, para os do país onde tal lista foi elaborada. Da mesma maneira que é difícil para um espectador português ter a diversidade e a possibilidade de escolha de um congénere parisiense, no país que mais filmes exporta para todo o mundo também pode ser uma odisseia conseguir ver a mais recente obra de um realizador conceituado simplesmente porque se vive no Kentucky e não em Nova-Iorque.

É aqui que os novos suportes de distribuição digital desempenham um papel deveras importante, como confirma Ebert ao afirmar que "This is a time when home video, Netflix and the good movie channels come to the rescue." De facto, torna-se muito difícil contestar o poder do DVD, dos Blu-Ray e dos downloads (legais ou não, isso é outra história...) na divulgação de filmes que, normalmente, seriam barrados pelos imperativos económicos de chegarem ao(s) público(s) que os quer(em) ver. E não esqueçamos, já agora, a importância que as televisões, com especial incidência para os canais dedicados à sétima arte e aos "generalistas" que organizam ciclos, têm, através da exibição de clássicos, na formação do gosto e da cinefilia de muita gente que não tem acesso a um espaço como a Cinemateca Portuguesa. Sem estar sequer perto de perder o gosto por ver os filmes no grande ecrã, Ebert revela, nestas duas simples frases, uma frescura de pensamento em relação à evolução tecnológica do cinema que é salutar e, a meu ver, exemplar.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Uma breve nota sobre "A Turma" de Laurent Cantet



Como se está a tornar hábito (chato) por estes lados, só agora é que consegui ir assistir ao filme que arrebatou a Palma d'Ouro no Festival de Cannes deste ano. Mas em boa hora: "A Turma" de Laurent Cantet é, sem margem para dúvidas, uma das grandes obras cinematográficas de 2008. Espantoso tanto a nível do tratamento dos temas abordados (a educação "dentro das paredes" da sala de aula) como da própria concepção formal e narrativa, a mais recente longa-metragem do autor de "Recursos Humanos" é uma pedrada no charco que merece ser vista e discutida por toda a gente, não só por pessoas ligadas à área da educação ou do cinema.

É conveniente sublinhar que Cantet não quer pregar uma pedagogia neste filme: não estamos perante um típico "conto inspirador" de um professor que vem pôr uma turma difícil na ordem ao revelar-lhes as pessoas extraordinárias que são. François, o professor e protagonista da história, é um ser humano falível, capaz tanto de conduzir uma aula de uma turma problemática com inegável mestria como de errar, de assumir uma postura questionável perante um aluno ou até mesmo descontrolar-se. Da mesma maneira, um aluno problemático pode num momento surpreender-nos com uma atitude ou um gesto reveladores do seu real potencial como, no seguinte, voltar a confirmar más expectativas.

O ser humano enquanto ser eminentemente complexo - é este fascínio pela personagem enquanto ser falível e não como "exemplo de coerência" que eleva a dramaturgia do filme para um nível inesperadamente elevado e de uma riqueza rara. E, numa altura em que muito se fala do realismo e do naturalismo nas artes representativas, é refrescante ver uma obra que nos dá a ver o interior de uma sala de aula com uma enorme atenção ao pormenor e uma visão não estereotipada das diversas realidades que podemos encontrar nessa mesma sala.

Nesse sentido, é também fascinante descobrir os métodos de trabalho (ou, se quisermos, a aproximação) que o realizador e a sua equipa adoptaram para a feitura do filme*, centrando-se nos temas do livro sem seguir as situações à risca, dando um vasto espaço de improvisação aos seus intérpretes e usando uma estética semi-documental, com uma câmara à mão muito controlada e selectiva. O resultado está à vista: não só a realização é fantástica, como as interpretações de todos os envolvidos, actores e não-actores, é brilhante.

E, claro, para quem apregoe que o cinema de autor é incapaz de conciliar as palmas da crítica com o agrado do grande  público, "A Turma" é um dos maiores estalos na cara: para além da Palma d'Ouro e dos elogios da imprensa especializada, o filme de Cantet tem feito uma carreira comercial invejável por onde tem passado. Em Portugal, já ultrapassou a barreira dos 15 mil espectadores. E acredito que não fique por aqui...

* Ler, a este propósito, a extensa e excelente entrevista dada por Laurent Cantet aos Cahiers du Cinema no número 637 da mencionada revista.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Duas breves sugestões para uma Noite das Bruxas cinéfila


Primeiro, uma das maiores obras-primas de John Carpenter, incontornável neste dia do ano, para ver e rever pela enésima vez e continuar a ficar fascinado pelo modo como resiste ao tempo e permanece uma pura lição de cinema.

Depois, atrevo-me a dizê-lo, um dos melhores remakes do género, assinado por um dos nomes mais estimulantes do cinema de terror norte-americano contemporâneo que, correndo o maior dos riscos, não teve medo de dar a sua visão muito pessoal do original. Não o seguindo à risca, prestou-lhe a melhor das homenagens e, acima de tudo, ganhou essa autonomia que todo o remake deve ter em relação ao original.

Happy trick or treating!


quinta-feira, outubro 30, 2008

Revista da Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos online

Só há uns dias é que descobri que a Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos, desde o início de Outubro, colocou online uma "e-magazine" com diversos artigos redigidos pelos seus sócios.

Neste conjunto de textos dedicados ao sempre intrigante e polémico tema "Ser Guionista em Portugal", há que destacar um perspicaz olhar sobre a situação do cinema português da autoria de Jorge Vaz Nande (com o sugestivo título "Devemos sempre olhar para a Nigéria"); uma divertida (e nem por isso pouco amarga) crónica da profissão escrita por Tiago Santos ("Call Girl"),  e, também, uma muito interessante entrevista a António Ferreira, o cineasta que escreveu e realizou esse delicioso retrato de uma família portuguesa em colapso chamado "Esquece Tudo o Que Te Disse". Há outros textos bem interessantes, mas deixo os links dos artigos citados para aguçar o apetite para o resto.

Num país onde a profissão de argumentista, para além de ser injustamente desvalorizada, parece dar novo sentido à expressão "trabalho intermitente" (a não ser, claro, que se esteja a escrever para telenovelas), é de louvar que a sua maior associação dê provas de dinamismo ao pedir aos seus sócios para reflectirem sobre o estado e a arte do seu ofício. A seguir atentamente.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Elogio de "Mal Nascida"


Tenho estado para escrever aqui sobre "Mal Nascida", a mais recente longa-metragem de João Canijo estreada entre nós no início de Outubro num número bastante reduzido de salas e com menos "burburinho" crítico que a sua "prequela", "Noite Escura". Já passou uma semana desde que tive a oportunidade de o ver, mas tem sido difícil ordenar as ideias que o filme suscitou e colocá-las por escrito. Aqui vai uma tentativa...

Antes de começar, porém, devo avisar que este texto não é uma crítica nem uma análise da obra em questão. É, antes, um elogio ao que se fez neste filme: adaptando a história de Electra à nossa realidade contemporânea, Canijo transpôs a acção de uma tragédia grega para um cenário no interior de Portugal (esse país "de brandos costumes" onde "não se passa nada" e, por isso mesmo, todos são poetas...) arrebatando, no processo, uma história de um enorme folgo dramático com uma naturalidade que impressiona.

Ao contrário de outros cineastas portugueses, Canijo não filma as suas personagens "feias, porcas e más" como se estivesse do lado de fora de uma jaula do jardim zoológico a ver uma qualquer atracção exótica. Sabe que, no meio daquela rudeza, daquela má educação, estão seres humanos, pessoas colocadas numa situação extrema e cujas (re)acções têm tanto de revoltante como de triste e, não raras vezes, de comovente. Consequentemente, consegue mostrar que aquelas almas perdidas que habitam aquela aldeia aparentemente tão remota têm muito mais a ver connosco, espectadores sentados confortavelmente nas cadeiras da sala de cinema, do que poderíamos pensar. O fabuloso trabalho dos actores (do qual não apetece destacar ninguém, de tal forma Anabela Moreira, Fernando Luís, Márcia Breia e Gonçalo Waddington estão maravilhosamente à altura uns dos outros), o cuidado notório na caracterização do ambiente tanto a nível visual como sonoro e, claro, uma realização segura, tornam esta obra obrigatória no início deste Outono cinematográfico.

Não é um filme "bonito" - é um filme justo. Só por isso, merece toda a nossa atenção...

Reboot

Nada de justificações, nada de promessas. Refresque-se a máquina e venham os textos que vierem...

sábado, fevereiro 02, 2008

Le Roi est mort... Vive le Roi!

Estreia hoje, às 21h 15m, na RTP1, a série "O Dia do Regicídio", um projecto em que tive o prazer de trabalhar o ano passado enquanto assistente de montagem. Trata-se de uma ficção centrada nos eventos que levaram ao assassinato do rei D.Carlos.

Infelizmente, a versão que, para já, vai para o ar é uma espécie de "compacto" da série, com dois episódios a serem "colados" um ao outro para que a totalidade da série seja exibida nestes próximos três dias em "fatias" de 90 minutos... o que pressupõe vários cortes na montagem final.

Como alguém que participou, ainda que de forma bastante secundária, na feitura desta obra, lamento com um considerável desapontamento que, de momento, tenhamos de ver uma variante "encurtada" da série por razões que me escapam completamente - fica a esperança e o desejo de que, no futuro, a versão integral seja transmitida tal como o realizador, os argumentistas, o director de fotografia, o montador e toda a restante equipa a imaginou.

De qualquer forma, não se demovam de assistir aos episódios, porque a série, na minha modesta (e, claro, não exactamente isenta) opinião, continua a ter um nível e uma qualidade inegável - para aguçar o apetite de quem ler estas linhas, deixo-vos aqui a trailer:



Espero que gostem!

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Talk-Radio! Entrevista ao indivíduo responsável por este blog...

Tive o prazer de ser recentemente entrevistado para a secção Posta@Posta do site Jornalismo Porto Rádio da Universidade do Porto - trata-se de um programa centrado na blogosfera portuguesa e na conversa com as pessoas que se sentam por de trás do computador a debitar textos para o Blogger ou para outro qualquer site de alojamento de blogs!

Da minha parte, posso dizer que a entrevista correu bastante bem (não obstante uma pequena calinada no português, uma expressão dita de forma incorrecta E uma gaffe no nome do realizador Hiroyuki Yamaga - tudo da minha autoria...), o pessoal da JPR foi de um profissionalismo acima de qualquer dúvida e conseguiu escolher bem as frases a reter de entre 45 minutos de conversa ao telefone! No programa: algumas considerações sobre o mundo do cinema (tanto lá fora como em Portugal), algumas histórias dos bastidores deste blog, a experiência de ter trabalhado com o Canto e Castro; e, claro, uma breve promo de "O Dia do Regicídio"!

Portanto, se quiserem ouvir o meu gaguejar e ficar com uma ideia da minha voz, dêem um saltinho ao site do Posta@Posta! Da minha parte, fica aqui o meu agradecimento à equipa de Diana Albuquerque, Marta Maia e Tatiana Carvalho por me terem posto à vontade e pelo interesse demonstrado por este cantinho da blogosfera! ^_^

Entrevista

http://jpr.icicom.up.pt/postaposta/

Site Jornalismo Porto Rádio

Heath Ledger (1979-2008)


Agora que se preparava para conseguir o impossível e fazer-nos esquecer, nem que só momentaneamente, o extraordinário Joker que Jack Nicholson criou para "Batman" de Tim Burton, ficamos com aquela sensação desconfortável de que iremos ver, no seu derradeiro trabalho em "The Dark Knight" de Christopher Nolan, um canto de cisne negro que só nos lembrará que este jovem actor ainda tinha muito para dar - a nós e à 7a arte. Ficamos com essa certeza e com a memória daquele cowboy solitário magistralmente retratado em "Brokeback Mountain" - o que, se pensarmos bem nisso, não é nada pouco para quem só tinha 28 anos...

sábado, dezembro 08, 2007

Pela honra de quem se mata a escrever

Como já deve ser do conhecimento geral, os argumentistas norte-americanos inscritos no Writer's Guild of America (WGA) encontram-se actualmente em greve - o resultado disto é que séries de ficção como "Heroes" e talk-shows como o "The Tonight Show" ou "The Daily Show" estão, actualmente, a passar episódios antigos (e isto tanto nos EUA como em Portugal), num regime de repetições que só terminará quando as negociações com as produtoras e as cadeias de televisão se resolverem.

Mas se a greve tem sido amplamente divulgada nos media, já as razões que levaram à sua existência não têm sido suficientemente esclarecidas. Encontrei este vídeo no blog da Ardelua, e não resisto a colocá-lo aqui, pois explica, de uma forma concisa, completa e muito divertida, o busilis da questão:



Se ficarem sensibilizados, convido-vos a visitarem o blog oficial dos grevistas e a assinarem a petição online de apoio à causa dos argumentistas. O meu nome já lá está...

P.S. - E quando é que, em Portugal, os nossos profissionais do audiovisual se decidem a "bater o pé" com a mesma dignidade que os seus congéneres americanos?

domingo, novembro 18, 2007

O tamanho importa...



Ontem, pouco antes do jogo da Selecção Nacional, o noticiário da RTP apresentou um curioso alinhamento de notícias que, de certa forma, é um primoroso retrato do nosso país: a primeira reportagem falava-nos do encerramento do Cinema Quarteto por falta de condições de segurança; a isto, seguiu-se um mui pomposo bloco que nos mostrava como o país olhou deslumbrado para a inauguração da Maior Árvore de Natal da Europa no Porto.

Um dos cinemas mais emblemáticos de Lisboa, responsável pela exibição de centenas de títulos marcantes que qualquer cinéfilo que o tenha visitado não pode esquecer, ameaça fechar as portas apesar dos esforços dos seus responsáveis para corrigir a situação, mas não há problema: a nossa Árvore de Natal é maior do que as dos outros países do nosso continente! Enfim, prioridades...

domingo, outubro 21, 2007

Dario Argento Ritorna: La Terza Madre (The Third Mother: Mother of Tears)


Estreia dia 31 deste mês na Itália aquele que deve ser um (o?) dos filmes de terror mais aguardados dos últimos tempos - "La Terza Madre" de Dario Argento, o terceiro e último capítulo de uma mítica trilogia iniciada há precisamente 30 anos com o extraordinário "Suspiria" pelo realizador de obras como "Profondo Rosso" ou "Phenomena", trilogia essa interrompida (e só agora retomada) após o fracasso comercial do segundo opus, "Inferno" (1980).

A trailer, que pode ser vista aqui, está na net há já algum tempo e permite aguçar o apetite para o que aí vem. Não parece que estejamos perante os mesmos espectáculos visuais do primeiro filme (embora, diga-se de passagem, a fotografia esteja com óptimo aspecto), mas o argumento parece bastante interessante e é sempre bom saber que a música é composta por Claudio Simonetti (grande colaborador de Argento e antigo membro dos Goblin, banda responsável pela fabulosa música de "Suspiria") e que Asia Argento, a filha do realizador e uma actriz de excepção, é a protagonista.

Dario Argento declarou à revista francesa Mad Movies que este é o filme mais gore que alguma vez rodou e que foi criado no mesmo estilo das suas obras dos anos 70 (que muitos fãs consideram ser o seu período de ouro). As reacções às poucas exibições que o filme teve em festivais têm sido mistas, mas nada que tolde o entusiasmo em torno da obra.

Argento é um dos nomes de referência do cinema fantástico Italiano desde o início dos anos 70. Capaz de fazer algumas das maiores obras dos respectivos géneros ("Suspiria", "Profondo Rosso") como também títulos francamente fracos ("Trauma", "Ti Piace Hitchcock?"), os seus mais recentes trabalhos foram dois episódios para a série "Masters of Horror" - "Jenifer", na primeira temporada, e "Pelts", na segunda. O seu último filme estreado nas salas foi "Il Cartaio - O Jogador Misterioso", que foi editado em Portugal directamente em DVD numa edição unicamente dobrada em inglês. Por cá, a última obra que vimos nos ecrãs grandes portugueses foi "O Fantasma da Ópera" em... 1999.

Alguma esperança de virmos a ter este filme a estrear nas nossas salas? Façamos figas...